Protocolos Acelerados

Os protocolos acelerados de Estimulação Magnética Transcraniana (EMT) representam um avanço importante no tratamento da depressão, concentrando múltiplas sessões de estimulação no mesmo dia para potencializar a neuroplasticidade e acelerar a resposta antidepressiva.

O protocolo pioneiro foi o SAINT (Stanford Accelerated Intelligent Neuromodulation Therapy), desenvolvido na Universidade de Stanford. Ele utiliza neuronavegação personalizada por ressonância magnética funcional para individualizar o alvo de estimulação e realiza 50 sessões de theta-burst ao longo de cinco dias. Os estudos demonstraram taxas de resposta entre 80% e 87% e de remissão entre 51% e 78%, consolidando o SAINT como uma das estratégias mais eficazes para depressão resistente.

Recentemente, o FDA reconheceu outro protocolo acelerado, denominado SWIFT™, da BrainsWay, indicado para o tratamento da depressão, inclusive em pacientes com ansiedade associada. O protocolo consiste em cinco sessões diárias de theta-burst durante seis dias consecutivos, seguidas de uma fase de manutenção com duas sessões no mesmo dia, uma vez por semana, durante quatro semanas. No estudo que embasou sua aprovação, foram observadas taxas de resposta de 87,8% e de remissão de 78%. Além disso, mais de 80% dos pacientes que alcançaram remissão permaneceram em remissão após 12 meses.

Outro protocolo é o chamado pragmático, desenvolvido pelo pesquisador Harold A. Sackeim, que busca tornar a EMT acelerada mais acessível na prática clínica. Ele realiza 36 sessões de theta-burst distribuídas ao longo de cinco dias, sem necessidade de neuronavegação. No estudo piloto, aproximadamente 70% dos pacientes apresentaram resposta ao final do quinto dia, e 75% mantiveram a resposta após quatro semanas.

Em comum, esses protocolos procuram aproveitar uma “janela de plasticidade”, realizando várias sessões de estimulação no mesmo dia para fortalecer mais rapidamente os circuitos cerebrais envolvidos na regulação do humor. Com exceção do SAINT, os demais protocolos acelerados dispensam neuronavegação, reduzindo custos e tornando sua implementação mais simples e viável na prática clínica.