Estratégias para aumentar a eficácia da Estimulação Magnética

Uma das estratégias mais promissoras para aumentar a eficácia da Estimulação Magnética Transcraniana (EMT) consiste em potencializar a neuroplasticidade cerebral por meio da associação de agonistas dos receptores N-metil-D-aspartato (NMDA), como a D-cicloserina e a D-serina, principalmente quando utilizados em protocolos acelerados com estimulação theta-burst (TBS).

Os efeitos terapêuticos da EMT dependem da indução de mecanismos de plasticidade sináptica, incluindo potenciação de longa duração (long-term potentiation – LTP), reorganização das redes neurais e fortalecimento das conexões corticais envolvidas na regulação do humor. Os receptores NMDA desempenham papel fundamental nesses processos, pois são essenciais para a indução e manutenção da plasticidade sináptica. Dessa forma, a administração de agonistas parciais ou moduladores desses receptores pode facilitar a resposta neuroplástica induzida pela estimulação magnética, aumentando sua eficácia clínica.

A D-cicloserina é um agonista parcial do sítio da glicina do receptor NMDA e já havia demonstrado potencial para facilitar processos de aprendizagem e extinção do medo em diferentes modelos experimentais. Mais recentemente, esse fármaco passou a ser investigado como adjuvante da EMT. Em um estudo conduzido por Alexander McGirr e colaboradores, envolvendo 50 pacientes com depressão resistente ao tratamento, a administração de D-cicloserina durante as dez primeiras sessões de theta-burst intermitente aumentou significativamente a taxa de resposta clínica, de 29% para 73%, em comparação com o grupo controle.

Posteriormente, Jonathan Downar e colaboradores desenvolveram o protocolo ONE-D (One-Day Neuroplasticity Enhancement), que avaliou a administração de uma dose única de D-cicloserina antes de um protocolo intensivo de theta-burst realizado em um único dia. Os resultados mostraram taxas de resposta próximas de 90% e remissão superior a 70%, sugerindo que a combinação entre estimulação intensiva e potencialização farmacológica da plasticidade pode produzir efeitos antidepressivos rápidos e robustos.

Em 2026, uma análise envolvendo mais de 400 pacientes tratados com essa estratégia reforçou os resultados iniciais, demonstrando elevadas taxas de resposta clínica e boa tolerabilidade. Esses achados fortalecem a hipótese de que a facilitação da plasticidade sináptica representa um caminho promissor para ampliar os efeitos da EMT, especialmente em pacientes com depressão resistente.

Apesar do entusiasmo gerado por esses estudos, as evidências ainda devem ser interpretadas com cautela. A maioria dos trabalhos foi conduzida por um único grupo de pesquisa, com amostras relativamente pequenas e limitações metodológicas, como ausência de grupos controle em algumas análises e necessidade de replicação independente. Além disso, ainda não estão definidos a dose ideal, o momento de administração da D-cicloserina, o número de sessões em que o fármaco deve ser utilizado e quais pacientes apresentam maior probabilidade de benefício.

Assim, embora a associação entre agonistas dos receptores NMDA e protocolos acelerados de theta-burst represente uma das linhas de pesquisa mais inovadoras na neuroestimulação para depressão resistente, estudos multicêntricos, randomizados e controlados ainda são necessários para confirmar sua eficácia, estabelecer sua segurança em longo prazo e definir seu papel na prática clínica.