Estimulação Magnética Transcraniana para o TOC
A estimulação magnética transcraniana (EMT) já é considerada uma técnica consagrada e eficaz para o tratamento do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC). A técnica utiliza ondas magnéticas para estimular ou inibir áreas específicas do cérebro, com o objetivo de potencializar a neuroplasticidade e modular a atividade das regiões relacionadas aos pensamentos obsessivos e aos comportamentos compulsivos.
2018Ano em que o FDA (Food and Drug Administration), órgão regulador americano, reconheceu a EMT para o tratamento do TOC.
O que são os protocolos acelerados de estimulação magnética?
Nos últimos anos, a EMT ganhou destaque em uma estratégia diferente: os protocolos acelerados, nos quais várias sessões são realizadas no mesmo dia, em um período mais curto do que nos protocolos convencionais. A ideia é que uma estimulação mais intensiva possa modular rapidamente os circuitos cerebrais envolvidos no TOC e acelerar a resposta terapêutica.
O que mostram os principais estudos
Diversos trabalhos publicados entre 2021 e 2025 avaliaram diferentes protocolos acelerados para o TOC, com desenhos e resultados variados:
| Estudo | Desenho | Protocolo | Resultado |
|---|---|---|---|
| Williams et al., 2021 | Estudo aberto, 7 pacientes com TOC resistente | 10 sessões/dia × 5 dias (50 sessões) | 4 dos 7 pacientes com resposta clínica |
| Mukherjee et al., 2023 | Controlado por sham, área motora suplementar (SMA) | 2 sessões/dia × 3 semanas (30 sessões) | Grupo ativo com maior redução dos sintomas que o grupo sham |
| Jiang et al., 2023 | Randomizado, 45 pacientes; theta-burst acelerado vs. 1 Hz convencional | 10 sessões/dia × 5 dias (50 sessões) | Melhora significativa em ambos os grupos; sem diferença estatística entre eles |
| Ni et al., 2024 | Duas etapas: acelerada e convencional | Etapa 1: 10 sessões/dia × 5 dias · Etapa 2: 1 sessão/dia × 15 dias | Resposta de 56% (acelerado) e ~50% (convencional); maior em TOC moderado |
| Maciaszek et al., 2025 | 33 pacientes; avaliação de biomarcadores de neuroplasticidade | Protocolo acelerado | Melhora de TOC e depressão, com alterações em biomarcadores |
| Akyol et al., 2025 | Controlado por placebo, córtex pré-frontal medial | 5 sessões/dia × 2 semanas (50 sessões) | Diferença significativa entre grupos na evolução; redução final da Y-BOCS não significativa |
A resposta pode continuar depois do tratamento?
Esse é um dos aspectos mais interessantes observados nos estudos recentes. No estudo de Akyol et al. (2025), embora a redução da Y-BOCS ao final das 50 sessões não tenha sido estatisticamente significativa, observou-se uma tendência de melhora adicional nas duas semanas seguintes ao tratamento — sugerindo que os efeitos terapêuticos podem continuar se desenvolvendo mesmo após o término da estimulação.
O que podemos concluir?
Os resultados sugerem que os protocolos acelerados podem ser uma estratégia promissora para o tratamento do TOC, mas ainda são necessários estudos maiores para confirmar sua eficácia. Também ainda não está estabelecido se eles trazem vantagens clínicas em relação aos protocolos convencionais, cuja eficácia para o TOC já é bem estabelecida.
Questões que ainda permanecem em aberto:
- Qual é o melhor protocolo de estimulação acelerada;
- Qual o número ideal de sessões;
- Qual o momento mais adequado para avaliar a resposta terapêutica.
Podemos acelerar a administração do tratamento sem necessariamente acelerar, na mesma proporção, o tempo necessário para que a resposta clínica apareça. Por isso, os protocolos acelerados devem ser considerados, por enquanto, uma estratégia em investigação para o TOC.
Conteúdo com finalidade informativa, baseado em estudos científicos publicados. Não substitui avaliação, diagnóstico ou indicação de tratamento por um médico psiquiatra.